Se você tem uma loja na Shopify, precisa saber disso: os processos por acessibilidade em sites estão disparando — e não estão desacelerando.
Só no primeiro semestre de 2025, foram abertos mais de 2.000 processos de acessibilidade de sites com base na ADA — um aumento de 37% em relação ao ano anterior. E aqui vai o que pode te surpreender: 77% desses processos miram empresas com menos de US$ 25 milhões em faturamento. Sim, pequenos negócios são os principais alvos.
Se você tem se perguntado se isso é exagero ou se é algo com que realmente precisa se preocupar, vou ser direto: isso é real, está crescendo e pode te custar milhares de dólares se você ignorar.
A dura verdade sobre a vulnerabilidade dos pequenos negócios
Você pode pensar: “Somos pequenos demais para virar alvo.” Foi exatamente isso que muitos lojistas acreditaram antes de receberem uma notificação extrajudicial.
No primeiro semestre de 2025, 36% dos processos miraram empresas com receita anual acima de US$ 25 milhões, acima dos 33% em 2024. Mas isso ainda significa que a maioria dos processos está atingindo negócios menores como o seu.
Por quê? Porque os advogados dos autores sabem que pequenos negócios têm mais chance de fechar acordo rapidamente do que encarar uma batalha judicial longa. Um lojista no Reddit resumiu perfeitamente: “os advogados sabem que a gente vai só fazer acordo em vez de brigar.”
E eles estão certos. Os custos de acordo normalmente variam de US$ 3.000 a US$ 20.000, além dos custos de correção, que podem adicionar mais US$ 5.000 a US$ 15.000. Um lojista compartilhou a experiência: “Fomos processados no ano passado. Custou US$ 18 mil para fazer acordo e mais US$ 10 mil para realmente consertar o site. Queria ter feito isso de forma proativa.”

O que faz seu site virar um alvo?
O setor de restaurantes, alimentos e bebidas foi o que mais enfrentou processos no primeiro semestre de 2025, com 614 casos (30,49% de todos os registros). Mas lojas de e-commerce em todos os segmentos estão vulneráveis.
O e-commerce representa 69% de todos os processos de acessibilidade digital em 2025. Por quê? Porque comprar online exige, por natureza, navegar por interfaces complexas — catálogos de produtos, carrinhos, etapas de checkout — e cada uma dessas partes pode criar barreiras para pessoas com deficiência.
Realidade geográfica: onde os processos estão acontecendo
Nova York, Flórida e Califórnia foram os estados mais ativos no 1º trimestre de 2025, respondendo por mais de 75% de todos os registros. Mas aqui está o detalhe: você não precisa ter presença física nesses estados para ser processado lá. Se você tem clientes em Nova York, pode ser processado nos tribunais de Nova York.
Ainda mais preocupante: Illinois teve um salto de 745% nos processos em comparação com 2024, com 111 casos registrados no 1º trimestre de 2025. Isso mostra que a litigância por acessibilidade está se espalhando para além dos “hotspots” tradicionais.
O problema dos autores recorrentes
Aqui vai algo que dá raiva: apenas 31 autores foram responsáveis por abrir mais de 50% de todos os processos no primeiro semestre de 2025. E apenas 16 escritórios de advocacia foram responsáveis por mais de 90% dos casos.
Não são pessoas buscando acesso de forma genuína — são negócios construídos para explorar vulnerabilidades legais. Eles usam ferramentas automatizadas para varrer milhares de sites, identificar problemas de acessibilidade e enviar notificações extrajudiciais em massa.
Um lojista comentou: “Isso é basicamente golpista usando o sistema jurídico para te extorquir.”
Embora isso seja duro (e, tecnicamente, eles estejam operando dentro da lei), não torna o impacto financeiro menos real.
O mito perigoso das soluções de “correção rápida”
Se você pesquisou esse assunto, provavelmente viu anúncios de widgets de acessibilidade ou ferramentas de overlay. Empresas como accessiBe, UserWay e outras prometem que uma única linha de código vai deixar seu site em conformidade e te proteger de processos.
Não acredite nisso.
Só no 1º trimestre de 2025, foram abertos 199 processos contra empresas que tinham implementado widgets de acessibilidade em seus sites. Em 2024, mais de 1.000 empresas com widgets de acessibilidade foram processadas, representando mais de 25% de todos os casos.
Pior ainda: em janeiro de 2025, a Federal Trade Commission multou em US$ 1 milhão um grande fornecedor de solução de acessibilidade com IA por induzir empresas ao erro sobre a capacidade do widget de garantir conformidade com ADA e WCAG.
Um lojista no Reddit compartilhou: “O problema real é que esses widgets de overlay não te protegem legalmente. Aprendi isso depois que instalamos um e mesmo assim recebemos uma notificação.”
Esses widgets não corrigem problemas no código subjacente. Não resolvem falhas estruturais. E muitas vezes criam novas barreiras para pessoas que usam leitores de tela e outras tecnologias assistivas. A comunidade de direitos das pessoas com deficiência se opõe ativamente a essas ferramentas porque elas tornam os sites mais difíceis — e não mais fáceis — de usar.
O que realmente importa: WCAG 2.1 Nível AA
Governos estaduais e locais agora precisam garantir que seus conteúdos na web e apps móveis atendam aos padrões WCAG 2.1 Nível AA e, embora essa regra tecnicamente se aplique a entidades governamentais, ela estabelece o padrão que os tribunais cada vez mais usam como referência também para empresas privadas.
WCAG significa Web Content Accessibility Guidelines. Pense nisso como o manual técnico para tornar sites acessíveis a pessoas com deficiência.
Os quatro princípios centrais (POUR):
Perceptível: os usuários conseguem perceber o conteúdo? Isso significa:
- Alternativas em texto para imagens (texto alt)
- Legendas para vídeos
- Conteúdo que pode ser apresentado de diferentes formas
- Contraste de cor suficiente entre texto e fundo
Operável: os usuários conseguem operar sua interface? Isso inclui:
- Navegação completa por teclado (sem precisar de mouse)
- Tempo suficiente para ler e usar o conteúdo
- Nenhum conteúdo que cause convulsões (como flashes excessivos)
- Estrutura de navegação clara
Compreensível: os usuários conseguem entender o conteúdo e a interface?
- Texto legível em linguagem simples
- Comportamento previsível do site
- Ajudar usuários a evitar e corrigir erros
Robusto: seu site funciona com tecnologias assistivas atuais e futuras?
- Compatível com leitores de tela
- Funciona em diferentes dispositivos e navegadores
A abordagem proativa que realmente funciona
Com base tanto em orientações de especialistas quanto em experiências reais de lojistas, aqui está o que você deve fazer:
1. Comece pelo seu tema da Shopify
Escolha um tema da Shopify com boa acessibilidade nativa. O tema Dawn da Shopify, por exemplo, tem avaliações altas de acessibilidade. Quanto menos personalizações e apps de terceiros você adicionar, melhor a acessibilidade tende a se manter.
2. Faça auditorias gratuitas de acessibilidade
Use ferramentas como:
- WAVE – Gratuita e altamente recomendada
- Google PageSpeed Insights – Verifique sua pontuação de acessibilidade (mire em 90+)
- axe DevTools – Extensão do navegador para análise detalhada
Elas não vão pegar tudo (ainda é necessário teste humano), mas vão identificar problemas grandes.

3. Corrija primeiro os fundamentos
Problemas prioritários para resolver:
- Texto alt para imagens: toda imagem de produto precisa de um texto alt descritivo
- Contraste de cores: o texto precisa ter contraste suficiente com o fundo (proporção 4,5:1 para texto normal)
- Navegação por teclado: toda função deve funcionar com Tab, Enter e setas
- Rótulos de formulários: todos os campos de formulário precisam de rótulos adequados
- Estrutura de títulos: use tags H1, H2, H3 em ordem lógica
4. Documente seus esforços
Um lojista compartilhou um insight valioso: “Ouvi dizer que fazer melhorias constantes é uma defesa bem forte e é suficiente para fazer os escritórios suspeitos irem atrás de outro alvo.”
Mantenha registros de:
- Datas das auditorias e achados
- Correções implementadas
- Cronograma de monitoramento contínuo
- Treinamentos oferecidos à sua equipe
Isso demonstra boa-fé, o que importa caso você receba uma notificação extrajudicial.
5. Trabalhe com especialistas reais em acessibilidade
Se você tiver orçamento, contrate consultores de acessibilidade de verdade para:
- Realizar auditorias manuais (ferramentas automatizadas deixam passar cerca de 50% dos problemas)
- Corrigir problemas no nível do código
- Fazer monitoramento contínuo
- Oferecer treinamento para a equipe
Isso é mais caro no início, mas muito mais barato do que um processo.
O que fazer se você for processado
Apesar dos seus melhores esforços, você ainda pode receber uma notificação extrajudicial. Veja o que um lojista que passou por isso recomenda:
- Não ignore: ignorar processos leva a decisões à revelia, que são muito mais difíceis de reverter.
- Encontre o advogado certo: “Encontre alguém que pegue o caso por valor fechado e seja especializado nesses casos. Pagamos US$ 4.000 para um advogado e fechamos acordo por US$ 3.000. O advogado que processou inicialmente queria US$ 20 mil+ para fazer acordo.”
- Quanto mais se arrastar, melhor: “Quanto mais seu advogado enrolar, maior a chance de eles aceitarem um acordo por um valor pequeno.”
- Não entre em pânico e não pague demais: “Alguns advogados com quem falamos queriam cobrar US$ 10 mil só para começar.”
Em resumo
Acessibilidade no site não é só sobre evitar processos — embora esse seja, sem dúvida, um motivo forte para se importar. É sobre garantir que os 61 milhões de adultos com deficiência nos Estados Unidos consigam realmente usar seu site e virar seus clientes.
Mas vamos ser práticos: o risco de processo é muito real. Com 2.014 casos registrados só no primeiro semestre de 2025, e pequenos negócios levando a pior na maioria desses processos, você não pode se dar ao luxo de ignorar esse tema.
Não caia em “soluções rápidas”. Não ache que você é pequeno demais para virar alvo. E não espere até receber uma notificação.
Comece pelo básico: audite seu site, corrija os problemas de maior prioridade, documente seus esforços e incorpore acessibilidade ao seu processo contínuo de desenvolvimento. O custo de conformidade proativa é sempre menor do que o custo de uma ação judicial reativa.
Ações que você pode tomar hoje
- Passe seu site no WAVE (wave.webaim.org) agora mesmo
- Adicione ou melhore o texto alt nas 20 principais imagens de produto
- Teste todo o seu processo de checkout usando apenas o teclado (sem mouse)
- Verifique suas proporções de contraste de cores
- Revise a avaliação de acessibilidade do seu tema e considere trocar se ela for ruim
- Reserve orçamento para ferramentas de acessibilidade ou consultoria especializada
Lembre-se: isso não vai desaparecer. Com 8.800 reclamações da ADA Título III registradas no fim de 2024 e continuando a subir, a fiscalização de acessibilidade só está ficando mais forte. A pergunta não é se você deve tratar acessibilidade — é se você vai fazer isso de forma proativa ou depois de receber um processo.
Escolha ser proativo. Seu negócio e seus clientes vão sair ganhando.